quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Dia a Dia

Extrativismo ainda sustenta diversas famílias no Amapá

No Amapá, o extrativismo continua presente na rotina de famílias que vivem da coleta de açaí, castanha-do-brasil e outros produtos da floresta. A atividade combina geração de renda, subsistência e preservação ambiental, mas enfrenta desafios de logística, assistência técnica e comercialização.

O extrativismo no Amapá ainda faz parte da rotina de diversas famílias que vivem em comunidades rurais, ribeirinhas e tradicionais. A coleta de açaí, castanha-do-brasil e outros produtos da floresta ajuda a complementar a renda, abastecer as casas e manter práticas transmitidas entre gerações.

Em áreas como a Reserva Extrativista do Rio Cajari, no sul do estado, a população tradicional desenvolve atividades de exploração sustentável do açaí e da castanha-do-brasil. A unidade é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que reconhece o uso dos recursos naturais como parte da dinâmica econômica e social das comunidades locais.

Açaí e castanha entre os principais produtos

O açaí ocupa posição de destaque na economia amazônica e está presente tanto no consumo das famílias quanto no comércio regional. No Amapá, a cadeia envolve extrativistas, agricultores familiares, transportadores, batedores e comerciantes. A atividade também se relaciona à identidade alimentar do estado, onde o fruto costuma ser consumido de forma diferente daquela adotada em outras regiões do país.

A castanha-do-brasil mantém importância semelhante em áreas de floresta e em comunidades que organizam a coleta de acordo com o período de safra. No distrito do Maracá, em Mazagão, o extrativismo da castanha é apontado pelo órgão estadual de assistência rural como uma atividade tradicional que movimenta a economia local e garante o sustento de centenas de famílias.

Renda, alimentação e conhecimento tradicional

O extrativismo não se resume à venda dos produtos. Em muitas comunidades, parte da produção é destinada ao consumo próprio. A coleta de frutos, sementes e óleos pode complementar a agricultura familiar, a pesca e a produção de farinha, reduzindo a dependência de uma única fonte de renda.

Esse modo de vida também preserva conhecimentos sobre períodos de colheita, localização das espécies, transporte e beneficiamento. A organização comunitária tem papel importante nesse processo, especialmente em territórios onde o acesso por estradas é limitado e o deslocamento depende de rios e pequenas embarcações.

Desafios para fortalecer a atividade

Apesar da importância econômica e cultural, as famílias extrativistas enfrentam dificuldades para escoar a produção, acessar assistência técnica e agregar valor aos produtos. Documentos de planejamento sobre o Amapá apontam problemas logísticos no transporte do açaí produzido em comunidades indígenas e rurais, enquanto iniciativas públicas buscam ampliar a organização das cadeias produtivas e o acesso a equipamentos.

Projetos apoiados por órgãos federais também têm priorizado capacitação, agroindustrialização, comercialização e autonomia econômica de mulheres extrativistas e ribeirinhas. Na região da Reserva Extrativista do Rio Cajari, uma iniciativa voltada a mulheres atende comunidades cuja economia está baseada no extrativismo, na pesca e na agricultura familiar.

O desafio é ampliar a renda sem romper o equilíbrio ambiental que sustenta a atividade. Para isso, o manejo responsável, a organização dos produtores e políticas públicas contínuas são considerados elementos importantes para manter a floresta produtiva e garantir a permanência das famílias em seus territórios.

Fontes: ICMBio, Incra, Rurap e Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.