quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

Telessaúde para os 62 municípios e expansão do Ronda estão entre propostas do plano do Amazonas

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado por Omar Aziz, reúne propostas como a ampliação da telessaúde para os 62 municípios, a criação de novas frentes do Ronda e ações de diversificação econômica. O material foi elaborado por equipes multidisciplinares coordenadas por Durango Duarte.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas reúne propostas para ampliar a oferta de serviços públicos e orientar a economia do estado nos próximos anos. Entre as medidas previstas estão a expansão da telessaúde para os 62 municípios, a criação de novas modalidades do Ronda e ações voltadas à diversificação das atividades produtivas.

Apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo, o planejamento foi organizado em três volumes, com aproximadamente 1.742 páginas. O empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte coordenou as equipes responsáveis pela elaboração do material.

O documento reúne diagnósticos, indicadores, metas e estratégias de execução para áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.

Saúde e segurança concentram propostas para os municípios

O segundo volume do plano é dedicado principalmente à saúde, à segurança pública e à assistência social. Na área da saúde, a proposta é regionalizar o atendimento e ampliar a telessaúde para os 62 municípios do Amazonas.

O planejamento também prevê o fortalecimento dos polos regionais, além do uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes. A organização busca considerar as características territoriais do estado e a necessidade de levar serviços a localidades fora da capital.

Na segurança pública, o documento apresenta a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação do programa para outras frentes. Entre elas estão o Ronda nos Municípios, o Ronda nos Rios, o Ronda Social e o Ronda Digital.

Para a assistência social, o programa Amazonas Forte Social propõe o fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e a ampliação de oportunidades de autonomia econômica.

Economia inclui Zona Franca, bioeconomia e produção no interior

O primeiro volume trata da situação fiscal do estado, dos possíveis impactos da Reforma Tributária, da infraestrutura, da logística e da diversificação da economia.

Entre as diretrizes apresentadas estão o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e a ampliação de atividades produtivas no interior. O plano também inclui propostas relacionadas à bioeconomia, ao turismo, à piscicultura, à fruticultura, à ciência e à tecnologia.

O objetivo indicado no documento é ampliar a capacidade de investimento do Amazonas e reduzir as desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior. Para isso, o planejamento relaciona infraestrutura, logística e desenvolvimento regional.

A agenda econômica também está associada à necessidade de criar condições para novas atividades produtivas e de aproveitar conhecimentos científicos e tecnológicos na formulação de políticas públicas.

Educação, inovação e meio ambiente aparecem no terceiro volume

O terceiro volume reúne propostas para educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação.

Na educação, o material inclui o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a ampliação da educação profissional e tecnológica. Também estão previstas ações de modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador.

O plano menciona ainda o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). O documento contempla políticas de valorização cultural e de proteção dos povos indígenas.

Entre os temas incorporados ao planejamento estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública.

Plano foi elaborado por equipes multidisciplinares

A construção do plano envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes setores da sociedade.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes na elaboração. Também foram consideradas contribuições de entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

Os três volumes procuram relacionar os problemas identificados, as soluções propostas e os mecanismos necessários para a implementação das medidas. A intenção declarada é organizar uma agenda que ultrapasse o período de um mandato.

O planejamento prevê o acompanhamento das ações por meio de indicadores, metas e instrumentos de avaliação. A proposta é permitir a verificação dos resultados durante a execução das políticas públicas.

Durango Duarte reúne experiência em pesquisas e gestão

A coordenação do trabalho foi exercida por Durango Duarte, empresário, publicitário e pesquisador com mais de quatro décadas de atuação em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos.

Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, Durango chegou a Manaus em 1975. Na capital amazonense, construiu a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.

Ele estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e concluiu graduação em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Também realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Esses campos estão relacionados à sua atuação em comunicação, pesquisas e planejamento estratégico.

Sua aproximação com a política começou no movimento estudantil, durante a década de 1980, em mobilizações pela redemocratização do país e atividades de representação universitária.

Relação com Omar Aziz começou na década de 1980

A relação profissional entre Durango Duarte e Omar Aziz teve início quando os dois participavam da vida estudantil e política amazonense.

Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Ao longo dos anos seguintes, desenvolveu trabalhos de consultoria relacionados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

As atividades envolveram comunicação institucional, planejamento governamental e políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória profissional estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.

Empresa ampliou atuação em pesquisas e opinião pública

Durango participou de trabalhos de pesquisa desde 1990, em iniciativas desenvolvidas com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, acompanhou projetos de apuração eleitoral paralela, quando a totalização oficial dos resultados poderia levar vários dias.

Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa, enquanto Durango acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982. Ele também criou o Top of Mind, levantamento voltado às marcas e aos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A atuação no setor de pesquisas esteve relacionada ao uso de indicadores, à identificação de tendências e à produção de informações para decisões estratégicas.

Empreendimentos incluem comunicação digital e publicidade

Além da Perspectiva, Durango diversificou suas atividades empresariais. Em 2009, fundou a The Voice, empresa voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED.

Em 2019, criou a iMarketing, com serviços relacionados à comunicação digital, ao marketing, às pesquisas e ao monitoramento de informações. Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar atividades e participações empresariais.

Essa atuação incluiu gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial. A experiência foi aplicada na coordenação de profissionais de diferentes áreas durante a elaboração do plano estadual.

Instituto preserva registros da história do Amazonas

Em paralelo às atividades empresariais e de consultoria, Durango Duarte criou, em 2015, o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos.

O instituto foi inaugurado oficialmente em abril de 2016 e reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.

Próxima gestão deverá definir prioridades e execução

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, tendo Alessandra Campêlo como vice-governadora. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027.

Com a vitória eleitoral, o Plano Estratégico de Desenvolvimento passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima administração estadual. O material apresenta propostas para a reorganização administrativa, a ampliação dos investimentos, a melhoria dos serviços públicos e o desenvolvimento dos municípios do interior.

A execução das medidas dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

O plano foi estruturado para conectar diagnósticos, propostas e mecanismos de acompanhamento. A etapa seguinte será transformar as diretrizes reunidas nos três volumes em ações da administração estadual.