Calçoene, no norte do Amapá, reúne elementos que ajudam a compreender diferentes períodos da ocupação da região amazônica. A história ligada à exploração do ouro, os vestígios de sociedades indígenas antigas e a paisagem costeira formam um conjunto que diferencia o município no mapa cultural e turístico do estado.
Localizado na faixa centro-nordeste do Amapá, Calçoene tem limites com o Oceano Atlântico e com os municípios de Amapá, Pracuúba, Oiapoque e Serra do Navio. A sede fica distante da capital, Macapá, e o acesso terrestre é feito principalmente pela BR-156, segundo informações do Governo do Estado.
Uma história marcada pelo garimpo
A formação de Calçoene está relacionada à exploração mineral. No fim do século XIX, a descoberta de ouro na região atraiu garimpeiros e estrangeiros, ampliando a circulação de pessoas e mercadorias pelas áreas próximas aos rios e aos antigos núcleos de mineração.
O próprio nome do município está associado à organização dessas áreas de garimpo. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento das Cidades do Amapá, a Fazenda Nacional dividiu a região em setores identificados pelas direções norte, sul, leste e oeste. As minas de Daniel e Firmino ficavam no chamado “Calço Norte”, origem do nome Calçoene.
O distrito de Calçoene foi criado em 16 de abril de 1903, ainda subordinado ao então município de Montenegro, atualmente chamado Amapá. Em 23 de maio de 1945, a localidade foi elevada à condição de vila. A emancipação municipal ocorreu em 22 de dezembro de 1956.
O patrimônio arqueológico
O principal símbolo arqueológico de Calçoene é o Parque Arqueológico do Solstício, onde está o sítio megalítico conhecido como Rego Grande 1. O local possui grandes blocos de granito dispostos em formação circular e ficou conhecido popularmente como “Stonehenge do Amapá”.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional descreve o sítio como um monumento formado por placas de granito cuidadosamente organizadas. Pesquisas conduzidas com participação do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá analisam a estrutura, os materiais encontrados no entorno e sua relação com antigas populações indígenas.
A associação do círculo de pedras a observações astronômicas é uma hipótese de pesquisa, não uma conclusão definitiva sobre sua função. A disposição dos monólitos permite estudar possíveis relações com o movimento aparente do Sol, especialmente durante os solstícios, mas a interpretação do espaço continua sendo objeto de investigação arqueológica.
Praia, rios e paisagens naturais
Além do patrimônio histórico e arqueológico, Calçoene possui áreas de interesse natural. A Praia do Goiabal é um dos principais atrativos indicados pelo Governo do Amapá. Banhada pelo Oceano Atlântico, ela fica fora da sede municipal e o acesso inclui trecho por estrada de terra.
A paisagem costeira, os rios e as áreas de vegetação amazônica reforçam o potencial do município para atividades ligadas ao turismo de natureza. Ao mesmo tempo, a visitação exige cuidados com o ambiente, respeito às comunidades locais e preservação dos sítios arqueológicos.
Em Calçoene, história e natureza não aparecem como atrações isoladas. O passado do garimpo, a presença de vestígios indígenas e a relação com o litoral formam uma narrativa única sobre o norte amapaense — ainda em processo de pesquisa, proteção e valorização.








