Os produtos da floresta em Macapá percorrem um caminho que começa nas comunidades rurais e extrativistas do Amapá antes de chegar às bancas das feiras e dos mercados. Frutos, sementes, cascas, óleos, plantas medicinais e alimentos regionais são coletados, preparados, transportados e vendidos por agricultores familiares, extrativistas e feirantes.
Esse processo reúne atividades econômicas e conhecimentos tradicionais. Também depende das condições de acesso às comunidades, da oferta de transporte e da capacidade de conservar os produtos até o momento da venda.
Da coleta ao preparo dos produtos
Os chamados produtos florestais não madeireiros são obtidos sem a derrubada da árvore. A categoria inclui frutos, sementes, fibras, raízes, cascas, folhas, látex e óleos. No Amapá, parte desses itens é destinada ao consumo alimentar, enquanto outra parte é usada em preparos tradicionais, remédios caseiros, cosméticos e artesanato.
Um levantamento realizado na Feira do Produtor do Buritizal identificou 22 espécies de produtos florestais não madeireiros comercializados por feirantes. Castanha-da-amazônia, andiroba e amapazeiro estavam entre os itens mais citados. As mercadorias apareciam em diferentes formatos, como frutos, sementes, cascas, óleos, doces, biscoitos e garrafadas. (alice.cnptia.embrapa.br)
Antes da venda, o material pode passar por seleção, limpeza, secagem, extração de óleo ou transformação em alimento. Essas etapas ajudam a reduzir perdas e permitem que o produto seja comercializado em diferentes épocas do ano, embora a oferta continue ligada ao ciclo de cada espécie e às condições de coleta.
Transporte até Macapá
Depois da coleta ou da produção, os itens precisam ser levados das comunidades até os pontos de comercialização. O deslocamento pode envolver trechos terrestres e fluviais, dependendo da localização da comunidade e da infraestrutura disponível. Estudos sobre sistemas produtivos do Amapá apontam as feiras e os centros consumidores de Macapá e Santana como canais importantes para a venda direta da produção rural. (iepa.ap.gov.br)
Quando a distância é menor, o transporte costuma ser feito pelos próprios produtores ou por comerciantes que reúnem mercadorias de diferentes localidades. Em áreas mais afastadas, a logística pode exigir embarcações, veículos e planejamento para evitar que os alimentos se deteriorem durante a viagem.
A proximidade entre o produtor e o consumidor reduz intermediários e permite que parte da renda permaneça com as famílias rurais. A Prefeitura de Macapá mantém feiras voltadas à agricultura familiar, com a participação de produtores de comunidades como Santo Antônio da Pedreira, Maruanum, São Joaquim do Pacuí e Fazendinha. (agencia.macapa.ap.gov.br)
O papel das feiras
Nas feiras, os produtos chegam ao consumidor em sua forma natural ou já beneficiados. Frutas, hortaliças, farinha, tucupi, pescado, plantas medicinais, óleos e itens artesanais podem dividir espaço nas bancas, dependendo do evento e da origem dos vendedores.
Além de funcionar como ponto de venda, a feira aproxima o público dos modos de produção das comunidades. A Feira Agricultura e Arte, por exemplo, foi criada para aproximar produtores rurais, artesãos e consumidores e reúne mercadorias da agricultura familiar e do empreendedorismo local. (macapa.ap.gov.br)
Desafios da comercialização
Apesar da variedade, a cadeia ainda enfrenta obstáculos. A Embrapa registra que parte dos produtos florestais não madeireiros permanece restrita às próprias comunidades por causa da falta de informações técnicas, padrões de comercialização e estrutura para ampliar a produção.
O beneficiamento também é um desafio. No caso dos óleos florestais, comunidades do Amapá produzem matérias-primas que, em alguns casos, são enviadas para outros centros do país para passar por etapas de refinamento. Isso mostra que nem todos os produtos extraídos no Estado chegam diretamente às feiras locais ou são processados na própria região. (infoteca.cnptia.embrapa.br)
Assim, o caminho dos produtos da floresta até Macapá depende de uma rede formada por comunidades, produtores, transportadores, órgãos de apoio e feirantes. Quando essa cadeia funciona, o consumidor encontra alimentos e produtos regionais, enquanto as famílias envolvidas ampliam as possibilidades de renda e mantêm ativos conhecimentos associados à floresta.








