quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Da mineração ao açaí: atividades que transformaram a economia do Amapá

A história econômica do Amapá foi influenciada pela mineração, pelo extrativismo vegetal, pela pesca, pela agricultura e, mais recentemente, pelo fortalecimento da cadeia produtiva do açaí.

A economia do Amapá foi formada por diferentes atividades ao longo do tempo. A mineração, especialmente a extração de manganês, teve papel decisivo na ocupação do território e na criação de estruturas de transporte. O extrativismo vegetal, a pesca, a agricultura e a produção de açaí também contribuíram para a geração de renda e para a integração entre comunidades e mercados.

Esse processo não ocorreu de uma só vez. Cada atividade ganhou importância em períodos diferentes e deixou marcas na organização das cidades, no trabalho e na circulação de mercadorias pelo estado.

O ciclo do manganês e a transformação da Serra do Navio

A mineração ganhou destaque no Amapá a partir das descobertas de manganês na região da Serra do Navio, no vale do rio Amapari. Segundo o Iphan, amostras identificadas em 1945 confirmaram o alto teor do minério, e a empresa Indústria e Comércio de Minério (Icomi) assinou, em 1947, o contrato para explorar a área. A produção comercial começou em 1957.

A operação estimulou a construção de uma infraestrutura considerada estratégica para o então Território Federal do Amapá. A Estrada de Ferro do Amapá passou a ligar a área da mina ao terminal portuário de Santana, por onde o minério era enviado ao mercado externo. A atividade também contribuiu para o crescimento urbano e para a chegada de trabalhadores de outras partes do país.

A exploração do manganês se estendeu até o fim da década de 1990. Com o esgotamento das reservas e a saída da Icomi, a região passou por mudanças econômicas e sociais. A Vila de Serra do Navio, planejada para atender ao empreendimento, tornou-se posteriormente sede municipal e hoje integra o patrimônio cultural protegido pelo Iphan.

Outros minerais e novas frentes de produção

O manganês não foi o único recurso mineral explorado no estado. Documentos do Ministério de Minas e Energia registram a presença de ouro, ferro, caulim e granito entre os principais minerais do Amapá. Em diferentes momentos, essas atividades ajudaram a manter a mineração como um dos setores relevantes da economia estadual.

O caulim, explorado em Vitória do Jari, também ganhou importância industrial. Já a extração de ouro esteve associada a áreas de garimpo, como as regiões de Calçoene e Lourenço. A trajetória do setor, no entanto, envolve desafios relacionados à regularização, à fiscalização e ao controle dos impactos ambientais.

Extrativismo vegetal, pesca e agricultura

Antes e ao lado dos grandes projetos minerais, comunidades amapaenses dependiam do extrativismo vegetal, da pesca e da agricultura. Produtos como castanha, madeira, palmito, mandioca e frutas regionais participaram do abastecimento local e das trocas comerciais com outras áreas da Amazônia.

Em municípios próximos a rios e áreas de floresta, essas atividades continuam ligadas ao modo de vida de famílias rurais, ribeirinhas e extrativistas. A produção também movimenta transporte, feiras, pequenos comércios e serviços de beneficiamento.

O avanço da cadeia do açaí

O açaí ganhou espaço como produto de importância econômica e cultural. A cadeia envolve coleta ou cultivo, transporte, venda, processamento e comercialização da polpa. Dados recentes do IBGE mostram que o açaí cultivado liderou o valor da produção agrícola do Amapá em 2025, com R$ 92,479 milhões.

O dado se refere ao cultivo e não representa toda a produção extrativa. Essa distinção é importante porque o açaí pode chegar ao mercado por meio de áreas plantadas ou da coleta de frutos em áreas nativas. O fortalecimento da cadeia depende de melhorias no armazenamento, no transporte, no acesso à energia e no processamento, especialmente para reduzir perdas e ampliar o valor agregado do produto.

Uma economia marcada pela diversidade

Da mineração ao açaí, o Amapá passou por ciclos econômicos distintos. A mineração criou infraestrutura e acelerou a urbanização, enquanto o extrativismo, a pesca, a agricultura e o açaí mantiveram forte relação com os recursos naturais e com o trabalho das comunidades locais.

Hoje, o desafio é diversificar a economia, ampliar o beneficiamento dentro do estado e conciliar geração de renda com proteção ambiental. Essa combinação é essencial para que as atividades econômicas produzam resultados duradouros para a população amapaense.