quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CIDADES

Laranjal do Jari combina cotidiano amazônico e natureza no sul do Amapá

Laranjal do Jari, no sul do Amapá, tem a vida marcada pelo rio, pela memória do antigo Beiradão e pela presença de unidades de conservação. O município também abriga comunidades extrativistas e atrativos naturais como a Cachoeira de Santo Antônio e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru.

Laranjal do Jari, no sul do Amapá, é um município em que a rotina urbana convive diariamente com rios, comunidades ribeirinhas e grandes áreas de floresta. A paisagem ajuda a explicar a formação da cidade, enquanto o extrativismo, o comércio e os serviços sustentam boa parte da vida econômica local.

Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Laranjal do Jari tinha 35.114 habitantes. O município possui uma área territorial de 30.542,284 quilômetros quadrados, o que resulta em baixa densidade demográfica e grandes distâncias entre a sede e as comunidades rurais. (ibge.gov.br)

Uma cidade ligada ao rio e à história do Jari

A ocupação urbana de Laranjal do Jari está relacionada à expansão do Projeto Jari, implantado na década de 1960 na região de Monte Dourado, no Pará. A chegada de trabalhadores contribuiu para o crescimento do povoado conhecido como Beiradão, formado às margens do rio Jari, no lado amapaense.

Com o passar do tempo, o núcleo populacional se consolidou e deu origem ao município. Laranjal do Jari foi criado pela Lei nº 7.639, de 17 de dezembro de 1987, após ser desmembrado de Mazagão. A instalação administrativa ocorreu em 1º de janeiro de 1989. (ibge.gov.br)

O rio permanece presente no cotidiano. Ele funciona como referência geográfica, meio de deslocamento e fonte de atividades econômicas e alimentares. Em períodos de cheia, o nível da água pode afetar áreas urbanas e comunidades rurais, exigindo monitoramento e ações de assistência às famílias atingidas. (sema.portal.ap.gov.br)

Extrativismo e comunidades tradicionais

Além da sede municipal, o território reúne comunidades ligadas à agricultura familiar, à pesca e ao extrativismo vegetal. A castanha-da-amazônia tem importância econômica e cultural na região, especialmente nas áreas próximas à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru.

Na comunidade de São Francisco do Iratapuru, a Cooperativa Mista dos Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru, conhecida como Comaru, participa da organização da produção e da valorização de produtos da floresta. Estudos acadêmicos apontam que a cooperativa e a reserva integram estratégias de desenvolvimento sustentável e turismo de base comunitária. (periodicos.unifesp.br)

Floresta, cachoeiras e turismo de natureza

A natureza é um dos principais elementos da identidade de Laranjal do Jari. O município está associado a áreas protegidas, rios e paisagens amazônicas que favorecem atividades como trilhas, passeios fluviais e experiências conduzidas por moradores locais.

Entre os atrativos está a Cachoeira de Santo Antônio, no rio Jari, uma área conhecida pelas quedas d’água e pelo potencial para o turismo de aventura. O local também recebe investimentos públicos voltados à criação de estrutura de visitação e contemplação, como um mirante em implantação pelo Governo do Amapá. (seinf.portal.ap.gov.br)

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru também ocupa posição importante nesse cenário. A unidade foi criada para conciliar a conservação da floresta com o uso sustentável dos recursos naturais pelas populações locais. Em 2025, a reserva foi reconhecida no programa Lista Verde da União Internacional para a Conservação da Natureza, marco destacado pelo órgão ambiental estadual. (sema.portal.ap.gov.br)

Entre desafios e oportunidades

O cotidiano de Laranjal do Jari é marcado pelo contraste entre a concentração de serviços na sede e a dispersão das comunidades pelo território. O acesso, a infraestrutura urbana, as cheias e a preservação ambiental estão entre os temas que influenciam o planejamento municipal.

Ao mesmo tempo, a combinação entre cultura ribeirinha, produção extrativista e patrimônio natural amplia as possibilidades de desenvolvimento. Para a cidade, o desafio é transformar esses atributos em oportunidades permanentes, com participação das comunidades, proteção da floresta e melhoria das condições de vida da população.