Mazagão, no sul do Amapá, tem a identidade marcada pela combinação entre história, religiosidade e tradição popular. O município surgiu a partir de um projeto de colonização ligado à antiga Mazagão, cidade portuguesa localizada no território do atual Marrocos, e mantém em Mazagão Velho uma das manifestações culturais mais importantes do estado: a Festa de São Tiago.
A trajetória do município começou no século 18, durante o processo de reorganização dos domínios portugueses no norte da África. Com o abandono da antiga Mazagão, famílias ligadas à colônia foram transferidas para a Amazônia. Na região do rio Mutuacá, foi criado o povoado de Nova Mazagão, destinado a receber esses colonos.
Uma comunidade formada pela migração
Registros históricos indicam que o povoado foi estabelecido em 1770 e que, no ano seguinte, chegaram 163 famílias. A comunidade precisou se adaptar às condições da Amazônia, desenvolvendo atividades agrícolas e estruturando os primeiros serviços locais. A história oficial do município também registra a instalação de uma olaria entre as primeiras iniciativas da nova povoação.
Com o passar do tempo, a sede administrativa foi transferida para outra área, conhecida inicialmente como Vila Nova do Anauerapucu e depois denominada Mazagão. A antiga povoação passou a ser chamada de Mazagão Velho, nome que permanece associado ao núcleo histórico e às tradições preservadas pelos moradores.
De acordo com o histórico do IBGE, o município passou a integrar o Território Federal do Amapá em 1943, após deixar de fazer parte do estado do Pará.
Festa de São Tiago preserva a memória
A Festa de São Tiago é o principal símbolo cultural de Mazagão. Realizada em Mazagão Velho, a celebração reúne práticas religiosas, cortejos, cavalhadas e encenações teatrais a céu aberto. A programação tradicional ocorre em julho e tem como ponto central a representação da batalha entre mouros e cristãos.
A tradição é associada às memórias trazidas pelos antigos moradores da Mazagão africana. Segundo o Governo do Amapá, as encenações começaram a ser realizadas em 1777, como forma de relembrar a história da antiga colônia portuguesa.
Entre os momentos representados estão a entrega dos presentes, o baile de máscaras, a passagem do Bobo Velho, o início da guerra, a descoberta do Atalaia e a tomada do estandarte. Os personagens de São Tiago, São Jorge, Rei Caldeira e Menino Caldeirinha integram o conjunto de figuras que ajudam a transmitir a narrativa às novas gerações.
Tradição transmitida entre gerações
Mais do que uma festa religiosa, o evento funciona como espaço de transmissão de conhecimentos, participação comunitária e valorização da memória. Os próprios moradores assumem papéis nas encenações e colaboram para manter os rituais, as músicas, as vestimentas e os símbolos da celebração.
Em Mazagão, a história não está restrita aos registros oficiais. Ela também permanece presente nas narrativas familiares, nas práticas religiosas e no modo como a comunidade se reúne para celebrar sua origem. Por isso, Mazagão Velho ocupa lugar central na identidade do município e na preservação do patrimônio cultural do Amapá.








