quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Esportes

Por que a Linha do Equador tornou o Zerão conhecido nacionalmente

O Zerão, em Macapá, tornou-se um dos símbolos do Amapá porque sua linha de meio-campo coincide com a Linha do Equador, criando uma das imagens mais conhecidas do futebol brasileiro.

O Estádio Milton de Souza Corrêa, conhecido popularmente como Zerão, tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos do Amapá por uma característica incomum: a linha central do campo coincide com a Linha do Equador, referência geográfica que divide o planeta nos hemisférios Norte e Sul. A particularidade transformou uma arena esportiva de Macapá em uma atração conhecida além do futebol local.

Na prática, a fama do Zerão está ligada à imagem de um campo dividido entre dois hemisférios. De um lado, estaria o Hemisfério Norte; do outro, o Hemisfério Sul. A associação é visualmente forte porque a linha que separa as duas equipes durante a partida também representa a latitude zero, conceito estudado em geografia e facilmente compreendido pelo público.

Um estádio construído no “meio do mundo”

O estádio foi inaugurado em 17 de outubro de 1990. O primeiro jogo ocorreu entre Independente e Trem, pelo Copão da Amazônia, e terminou com vitória do Independente por 1 a 0. O primeiro gol da arena foi marcado pelo atacante Miranda, segundo informações da Secretaria de Estado do Desporto e do Lazer do Amapá. (sedel.portal.ap.gov.br)

Desde o início, o projeto passou a ser associado à localização de Macapá, uma das poucas capitais brasileiras atravessadas pela Linha do Equador. A cidade também abriga outros pontos ligados a essa referência geográfica, mas o Zerão levou o conceito para dentro de um espaço esportivo, onde a divisão pode ser percebida no próprio desenho do campo.

O apelido que virou marca

O nome “Zerão” faz referência à latitude zero da Linha do Equador. O apelido se consolidou entre torcedores e moradores e passou a ser usado com mais frequência do que o nome oficial do estádio. A denominação também ajudou a transformar a arena em uma marca do estado, especialmente por ser curta, fácil de lembrar e diretamente associada à geografia de Macapá.

O nome oficial homenageia Milton de Souza Corrêa, desportista amapaense ligado ao futebol e à organização esportiva no estado. Em 1994, o estádio chegou a receber temporariamente o nome de Ayrton Senna, após a morte do piloto, mas depois passou a adotar a denominação atual. (sedel.portal.ap.gov.br)

Da curiosidade geográfica ao destaque nacional

A singularidade do Zerão ganhou projeção quando partidas envolvendo clubes de outras regiões foram realizadas no local. A presença de equipes conhecidas e de jogadores de destaque ampliou a divulgação da arena, enquanto reportagens esportivas passaram a explorar a curiosidade de atuar em um campo relacionado aos dois hemisférios. O estádio já recebeu clubes como Santos, Cuiabá, América Mineiro e Sport, além de nomes conhecidos do futebol brasileiro. (sema.portal.ap.gov.br)

Por isso, o Zerão ficou conhecido nacionalmente não apenas como palco do futebol amapaense, mas como um lugar capaz de unir esporte, geografia e identidade regional. A Linha do Equador deixou de ser apenas uma referência cartográfica e passou a fazer parte da experiência de quem visita ou acompanha uma partida no estádio.

Mais do que uma curiosidade, a localização tornou o Zerão um dos principais cartões esportivos do Amapá. O campo representa uma forma simples e marcante de apresentar Macapá ao restante do país: uma cidade onde a geografia pode ser percebida no cotidiano, inclusive durante uma partida de futebol.